quinta-feira, 23 de julho de 2015

Ping-pong

Ela um dia prometeu
qu´haveria de mostrar
um segredo que mantinha
debaixo da sua saia!
Mas tal nunca aconteceu
porque eu tive de mudar
para os lados da Barquinha
e ela para o pé de Gaia!
Mas que asno que fui eu
ter saído tão depressa!
 Ooutro a quem não prometeu
se calhar viu a promessa!

sábado, 18 de julho de 2015

Dó, ré, mi

Tive um professor de música que usava saia e que era muito forte a bater as palmas e a bater nas faces dos seus alunos. Quando cantava e nos fazia cantar, punha-se em bicos de pés e as suas mãos desenhavam vigorosos compassos! Quando batia com a régua (Sta Luzia), usava o compasso binário; quando dava bofetadas, acho que usava o ternário! Havia notas no ar mas não havia nenhum dó! Era uma figura castiça, de quem já não lembro o nome. Lembro-me sim que, graças a ele, acabei por nunca entender a razão de uma breve ser tão longa e as fusas e semifusas serem tão breves!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Pois, bois.

“Tendes visto um guardador de cabras à frente do seu rebanho, conduzindo com acenos e assobios todas as barbudas cabeças daquele regimento quadrúpede? Pois vistes o mais perfeito símile da cena que se presenciava agora no adro da igreja matriz.
O povo, o povo soberano, que naquele dia tinha nas mãos o ceptro da sua soberania, não era menos dócil do que os irracionais que recordamos.
Não é semelhante esta força inconsciente do povo à do boi robusto e válido, que uma criança dirige e subjuga? Forte como ele, como ele dócil, como ele laborioso, como ele útil, não vê que a mesma força que emprega no trabalho lhe poderia servir para repelir o jugo. Ou, quando o vê, é quando o desespero e a fúria o cegam e o impelem a revoltas tremendas.”

(excerto de “A morgadinha dos canaviais” de Júlio Dinis)
Nota: quando Júlio Dinis escreveu isto ainda não havia acordo!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Desprezar é vandalizar!

Este pináculo caiu da torre do antigo convento da Trindade em Santarém, em meados do último Junho. Soube-o pelo jornal “O Mirante” donde retirei a foto. A mesma foto é acompanhada de um breve texto em que, além de outras coisas, se diz que, felizmente, não houve vítimas. Diz-se ainda que alguém perguntou se a torre tem sido monitorizada. E agora eu, armado em crítico, se bem que de meia tigela,  pergunto: e se fosse alguém a passar ou houvesse ali crianças a jogar ao berlinde? E, para terminar, pergunto só mais uma coisa: valia a pena perguntar se a torre tem sido monitorizada? Então não se vê logo pelo aspeto do passeio e daquelas ervinhas? Realmente, nisto de destruir património cultural, somos mais eficazes do que os jihadistas que esses ainda se cansam a dar marretadas lá para os lados da antiga Babilónia! Nós aqui é só deixar andar e está feito!!!

Tempos


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Dinheiro falso

O dinheiro é todo falso! Basta repararmos no fenómeno das bolsas: Se os donos do dinheiro ficam contentes quando há sol na Grécia, as cotações sobem imediatamente desde Nova York até ao Japão; se na Grécia chove e há alguma tempestade, logo os donos do coiso entram em pânico e o que ontem valia 1€ hoje vale apenas 050€. Isto parece querer provar pura e simplesmente que o dinheiro não vale aquilo que vale!, ou seja, é falso! Ah, e quando dizem que os mercados são muito sensíveis, querem dizer que são é muito ladrões!