“Tendes
visto um guardador de cabras à frente do seu rebanho, conduzindo com
acenos e assobios todas as barbudas cabeças daquele regimento
quadrúpede? Pois vistes o mais perfeito símile da cena que se
presenciava agora no adro da igreja matriz.
O
povo, o povo soberano, que naquele dia tinha nas mãos o ceptro da
sua soberania, não era menos dócil do que os irracionais que
recordamos.
Não
é semelhante esta força inconsciente do povo à do boi robusto e
válido, que uma criança dirige e subjuga? Forte como ele, como ele
dócil, como ele laborioso, como ele útil, não vê que a mesma
força que emprega no trabalho lhe poderia servir para repelir o
jugo. Ou, quando o vê, é quando o desespero e a fúria o cegam e o
impelem a revoltas tremendas.”
(excerto de “A morgadinha dos
canaviais” de Júlio Dinis)
Nota: quando Júlio Dinis escreveu isto ainda não havia acordo!
Nota: quando Júlio Dinis escreveu isto ainda não havia acordo!
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