sexta-feira, 17 de julho de 2015

Pois, bois.

Tendes visto um guardador de cabras à frente do seu rebanho, conduzindo com acenos e assobios todas as barbudas cabeças daquele regimento quadrúpede? Pois vistes o mais perfeito símile da cena que se presenciava agora no adro da igreja matriz.
O povo, o povo soberano, que naquele dia tinha nas mãos o ceptro da sua soberania, não era menos dócil do que os irracionais que recordamos.
Não é semelhante esta força inconsciente do povo à do boi robusto e válido, que uma criança dirige e subjuga? Forte como ele, como ele dócil, como ele laborioso, como ele útil, não vê que a mesma força que emprega no trabalho lhe poderia servir para repelir o jugo. Ou, quando o vê, é quando o desespero e a fúria o cegam e o impelem a revoltas tremendas.”

(excerto de “A morgadinha dos canaviais” de Júlio Dinis)
Nota: quando Júlio Dinis escreveu isto ainda não havia acordo!

Sem comentários:

Enviar um comentário