terça-feira, 10 de novembro de 2015

Tempos Shaub Lorenz

Olhar este aparelho, traz-me à memória, alguns factos já passados no caudal do rio que é o tempo:
A gripe asiática. Escolas e colégios em todo o país, foram encerrados. Então, a rádio era a companhia de acamados e não só. Possuir um rádio nessa altura era um luxo e, tal como hoje os televisores, eram comprados a prestações pelas famílias mais humildes.
Do que trazia as pessoas presas ao rádio, lembro-me dos folhetins da Emissora Nacional e do Rádio Clube Português. Com que devoção famílias inteiras ficavam de ouvidos colados aos aparelhos! O fascínio de “ver” através do som. Do Rádio Clube Português ficou-me o som do teatro Tide que não acompanhava mas da Emissora Nacional, recordo bem o som, a “imagem” e o enredo de uma fabulosa odisseia chamada “As minas de Salomão”.
Os relatos de futebol, aos domingos à tarde, sempre à mesma hora, nas vozes espetaculares de Artur Agostinho ou Amadeu José de Freitas, sempre antecipados de quinze minutos de marchas militares.
A volta a Portugal em bicicleta que arrastava multidões para a beira das estradas para verem grandes nomes como Alves Barbosa, Ribeiro da Silva, Sousa Cardoso, João Roque, Américo Raposo, Peixoto Alves e Joaquim Agostinho entre outros.
Os discursos do dr Salazar e ainda as mensagens de Natal dos soldados em Goa, Damão e Diu e mais tarde dos da Guiné, Angola, Moçambique e Timor. Portugal era enorme e tudo era a bem da nação!
Coisas que o tempo leva!...

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