A
gripe asiática. Escolas e colégios em todo o país, foram
encerrados. Então, a rádio era a companhia de acamados e não só.
Possuir um rádio nessa altura era um luxo e, tal como hoje os
televisores, eram comprados a prestações pelas famílias mais
humildes.
Do
que trazia as pessoas presas ao rádio, lembro-me dos folhetins da
Emissora Nacional e do Rádio Clube Português. Com que devoção
famílias inteiras ficavam de ouvidos colados aos aparelhos! O
fascínio de “ver” através do som. Do Rádio Clube Português
ficou-me o som do teatro Tide que não acompanhava mas da Emissora
Nacional, recordo bem o som, a “imagem” e o enredo de uma
fabulosa odisseia chamada “As minas de Salomão”.
Os
relatos de futebol, aos domingos à tarde, sempre à mesma hora, nas
vozes espetaculares de Artur Agostinho ou Amadeu José de Freitas,
sempre antecipados de quinze minutos de marchas militares.
A
volta a Portugal em bicicleta que arrastava multidões para a beira
das estradas para verem grandes nomes como Alves Barbosa, Ribeiro da
Silva, Sousa Cardoso, João Roque, Américo Raposo, Peixoto Alves e
Joaquim Agostinho entre outros.
Os
discursos do dr Salazar e ainda as mensagens de Natal dos soldados em
Goa, Damão e Diu e mais tarde dos da Guiné, Angola, Moçambique e
Timor. Portugal era enorme e tudo era a bem da nação!
Coisas
que o tempo leva!...

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