sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Ler Brandão

“Pela portinhola do comboio vou seguindo a PAIZAGEM de figueiras e de vinhas que desfila. De um lado o CÉO dourado e violeta, do outro todo roxo. Os nomes das estações TEEM um sabor a FRUCTO maduro e exótico – Almancil-Nexe, Diogal,  Marchil… de quando em quando fixo um pormenor: uma mulher passa na estrada branca, entre oliveiras pulverulentas e PHANTASMAS esbranquiçados de árvores, sentada no burrico, de guarda-sol aberto, e dando de mamar ao filho. Terras de barro vermelho. Grupos de figueiras anainhas estendem os braços pelo chão até ao mar, deixando CAHIR na água os ramos vergados de FRUCTO, que só amadurece com as branduras. Uma ou outra casinha reluzindo de caiada: ao lado, e sempre, a nora de alcatruzes e um burrinho a movê-la entre as leves amendoeiras em fila, as oliveiras d´um verde mais escuro e a alfarrobeira carregada de vagens negras pendentes. A MEZA de Deus está posta. Estradas orladas de CACTOS IMMOVEIS como bronze, e a deslumbrante Fuseta, com o seu zimbório entre árvores esguias. Ao longe, e sempre, acompanha-me o mar, que mistura o seu hálito a esta luz vivíssima.

(do livro “Os Pescadores” de Raul Brandão)

Nota: em maiúsculas, as palavras como se escreviam nos séculos 19 e 20.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Partilhar ou não

Muitas vezes no Facebook pedem-me que partilhe isto ou aquilo mas eu só sou de partilhar quando partilho, não me levem a mal, cada um é como é! Aliás, sigo um pouco aquilo que um grande poeta disse uma vez conforme excerto de seu poema junto:

"Vem por aqui - dizem alguns com olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que os ouvisse
Quando me dizem: "Vem por aqui"
Eu olho-os com olhos lassos
(há nos olhos meus , ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali..."
(de José Régio - Cântigo negro)

sábado, 21 de maio de 2016

Feira das flores

Neste lugar (Largo da Câmara), decorria noutros tempos, todos os anos, a grande feira de Abril. Do cenário que se vê hoje, só o edifício em primeiro plano à direita e o amarelo de telhado castanho ao fundo, existiam. Um, era o mercado e o outro, era onde um médico tinha o seu consultório e, onde me lembro de ter ido uma vez, para me ser passada a “papeleta” em que era indicado aos responsáveis, atendendo às minhas condições de saúde, se devia passar férias na praia ou no mato. Todo o espaço restante, era uma extensa área de terra que, na altura da feira, ficava apinhada de barracas de comes e bebes, de quinquilharias e das habituais diversões como o carrocel, o poço da morte e o comboio fantasma. Lembro-me que numa certa feira, num certo dia, fixei o olhar numa linda e bela menina que por lá andava, acompanhada por duas senhoras de mais idade. Ela teria uns treze anos. Eu, talvez catorze. Apaixonei-me. Segui-a com o olhar durante bastante tempo, até que a perdi de vista. Voltei à feira todos os dias enquanto durou mas nunca mais a vi. Como todos os dias pensava nela, imaginei um nome. Ela seria “Dido” e Dido era a bela a quem dedicava poemas que já não sei onde param e que nem eram poemas. Ao fim de 3, 4 anos, finalmente, voltei a encontrá-la numa localidade próxima, onde por acaso me tinha deslocado para ver passar os ciclistas. Já o fogo se tinha extinto, já o coração saltava noutras fogueiras…Só recordei agora porque Dido era uma flor e o Entroncamento está a celebrar a sua festa das flores!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Uma aldeia francesa

Esta série que a RTP2 está a apresentar diariamente às 22,10 é, no meu entender, um belo contributo para que as atuais e futuras gerações, jamais esqueçam o que foi a Europa no passado século. O perigo do esquecimento existe, atendendo aos últimos sinais vindos de dentro da própria Europa e ao tabuleiro do Médio Oriente onde russos e americanos decidem quando as mortes devem parar e recomeçar! Os acontecimentos começam a desenrolar-se numa velha escola de uma aldeia francesa onde os alemães mandam aprisionar todos os judeus que vão capturando, retirando-lhes os filhos que enviam para perto de Paris e tudo com a ajuda de alguns traidores franceses policiais. Relevante no contexto desta série, é a ação do presidente do município, pelo humanismo que demonstra para com os judeus apesar de o facto de se ter apaixonado por uma judia, poder muito ter contribuído para isso. Recomendo sinceramente a RTP2 pois este canal ainda não foi “ocupado” pelas forças da mediocridade que grassam nos outros canais!

domingo, 1 de maio de 2016

Joaninha voa voa

Têm visto por aí a “Joaninha”? Eu, que ando muito pelos campos, já há muito tempo que as não vejo! Ter-se-ão tornado burguesas citadinas? Tenho que ver se pergunto à multinacional estadunidense “Monsanto” o que se passa com esse lindo inseto que dava conta de todas as pragas da nossa agricultura, tornando desnecessário a bomba atómica Roundup e que ainda nos fazia recados mandando beijos aos nossos amores que estavam em Lisboa.