sábado, 21 de maio de 2016

Feira das flores

Neste lugar (Largo da Câmara), decorria noutros tempos, todos os anos, a grande feira de Abril. Do cenário que se vê hoje, só o edifício em primeiro plano à direita e o amarelo de telhado castanho ao fundo, existiam. Um, era o mercado e o outro, era onde um médico tinha o seu consultório e, onde me lembro de ter ido uma vez, para me ser passada a “papeleta” em que era indicado aos responsáveis, atendendo às minhas condições de saúde, se devia passar férias na praia ou no mato. Todo o espaço restante, era uma extensa área de terra que, na altura da feira, ficava apinhada de barracas de comes e bebes, de quinquilharias e das habituais diversões como o carrocel, o poço da morte e o comboio fantasma. Lembro-me que numa certa feira, num certo dia, fixei o olhar numa linda e bela menina que por lá andava, acompanhada por duas senhoras de mais idade. Ela teria uns treze anos. Eu, talvez catorze. Apaixonei-me. Segui-a com o olhar durante bastante tempo, até que a perdi de vista. Voltei à feira todos os dias enquanto durou mas nunca mais a vi. Como todos os dias pensava nela, imaginei um nome. Ela seria “Dido” e Dido era a bela a quem dedicava poemas que já não sei onde param e que nem eram poemas. Ao fim de 3, 4 anos, finalmente, voltei a encontrá-la numa localidade próxima, onde por acaso me tinha deslocado para ver passar os ciclistas. Já o fogo se tinha extinto, já o coração saltava noutras fogueiras…Só recordei agora porque Dido era uma flor e o Entroncamento está a celebrar a sua festa das flores!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Uma aldeia francesa

Esta série que a RTP2 está a apresentar diariamente às 22,10 é, no meu entender, um belo contributo para que as atuais e futuras gerações, jamais esqueçam o que foi a Europa no passado século. O perigo do esquecimento existe, atendendo aos últimos sinais vindos de dentro da própria Europa e ao tabuleiro do Médio Oriente onde russos e americanos decidem quando as mortes devem parar e recomeçar! Os acontecimentos começam a desenrolar-se numa velha escola de uma aldeia francesa onde os alemães mandam aprisionar todos os judeus que vão capturando, retirando-lhes os filhos que enviam para perto de Paris e tudo com a ajuda de alguns traidores franceses policiais. Relevante no contexto desta série, é a ação do presidente do município, pelo humanismo que demonstra para com os judeus apesar de o facto de se ter apaixonado por uma judia, poder muito ter contribuído para isso. Recomendo sinceramente a RTP2 pois este canal ainda não foi “ocupado” pelas forças da mediocridade que grassam nos outros canais!

domingo, 1 de maio de 2016

Joaninha voa voa

Têm visto por aí a “Joaninha”? Eu, que ando muito pelos campos, já há muito tempo que as não vejo! Ter-se-ão tornado burguesas citadinas? Tenho que ver se pergunto à multinacional estadunidense “Monsanto” o que se passa com esse lindo inseto que dava conta de todas as pragas da nossa agricultura, tornando desnecessário a bomba atómica Roundup e que ainda nos fazia recados mandando beijos aos nossos amores que estavam em Lisboa.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Outra educação?

Tenho visto da parte de alguns que se julgam desportistas, manifestações de uma falta de humanismo que impressiona! Falta de humanismo, porquê? Porque os que têm o bi querem o tri, os que têm o penta, querem o hexa e ninguém pensa naquela criança que todos os fins-de-semana, com a sua bandeirinha e cascol corre para o estádio desejosa de ver o seu clube ganhar e vê-lo um dia ser campeão.Ee passam 10, 14 e até mais anos sem que consiga ter esse prazer! Uma criatura que chega à idade adulta, transportando dentro de si uma criança cheia de sonhos mortos! Para esses, os sem humanismo, o seu clube tem sempre razão, o outro é que está errado; se o árbitro beneficia os seus, fica calado, se prejudica, bem, até se traz para a mesa do protesto um pratinho de cebolada!
Ele há gente que só vê
Do lado que dá mais jeito
Sua cabeça é no pé
E o torto é que é direito!

Não sou nenhum santinho mas recordo que, certa vez, no antigo estádio de Alvalade, no final de um Sporting-Porto que o meu clube venceu, fiquei aborrecido porque a meu lado, todo equipado à Porto, cascol e bandeira, um menino de cinco anos, de cabeça baixa, chorava! Desejei que o meu Sporting não tivesse ganho! Recordo também um jogo, no antigo estádio da Luz, em que o Benfica ganhou ao Sporting, sagrando-se campeão e a claque leonina desceu ao relvado e confraternizou com a claque benfiquista! Outros tempos!