sexta-feira, 10 de julho de 2015

Dinheiro falso

O dinheiro é todo falso! Basta repararmos no fenómeno das bolsas: Se os donos do dinheiro ficam contentes quando há sol na Grécia, as cotações sobem imediatamente desde Nova York até ao Japão; se na Grécia chove e há alguma tempestade, logo os donos do coiso entram em pânico e o que ontem valia 1€ hoje vale apenas 050€. Isto parece querer provar pura e simplesmente que o dinheiro não vale aquilo que vale!, ou seja, é falso! Ah, e quando dizem que os mercados são muito sensíveis, querem dizer que são é muito ladrões!  

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Acordo

Como se escreviam algumas palavras em 1908:

Official, arithmetica, systema, augmentar, fallada, escripta, signaes, logar, deante, elles, occupar, collocar, somma, addição, despeza, parcella, columna, egualar, producto, iguaes, anno, alumnos, sahidos, pae, fallecer, sciencias, promptidão.

Sendo assim, haverá tanta razão para protestar o novo acordo?

  • Há coisas esquisitas de fato, por isso eu próprio , que sei bem que nada sei, até concordo com quem discorda porque, de facto, às vezes não sei com que fato hei-de vestir certas palavras! Irra, cágado cagado?

terça-feira, 5 de maio de 2015

John Steinbeck


(excerto da obra de John Steinbeck: “ a um deus desconhecido”)

O inverno chegou cedo nesse ano. Três semanas antes do dia de Graças, as tardes avermelhavam-se nas serranias do lado do mar e o vento desabrido varria o vale e passava a noite a cantar nas esquinas da casa, fazendo bater as cortinas das janelas. Pequenos remoinhos de vento atiravam nuvens de folhas e poeira pela estrada fora, como soldados em marcha. Os melros reuniam-se e voavam em grupos para longe e as pombas lamentosas pousavam nas sebes por algum tempo e depois desapareciam por uma noite. Todo o dia os bandos de patos e gansos passavam lá em cima a voar alto, apontados infalivelmente para o sul; e ao escurecer gritavam cansados, a procurar um brilho de água onde pudessem repousar durante a noite. A geada tomou posse do Vale de Nossa Senhora, queimando os salgueiros até ficarem amarelos e os noveleiros encarnados.
Havia no céu e na terra preparativos apressados. Os esquilos trabalhavam freneticamente nos campos, armazenando nos subterrâneos da comunidade dez vezes mais alimentos do que precisavam, enquanto à boca das tocas, os avós grisalhos soltavam guinchos agudos e dirigiam a colheita. Os cavalos e as vacas perdiam a pelagem luzidia que se tornava áspera com o pelo novo do inverno; os cães faziam covas pouco fundas para dormirem protegidos contra os ventos rasteiros.

E, apesar da atividade, por todo o vale pairava uma tristeza como a neblina azul e esfumada sobre as montanhas. A salva estava preta. Os carvalhos deixavam cair folhas como a chuva e, apesar disso, continuavam revestidos de folhagem. Todas as noites o céu ardia sobre o mar e as nuvens acumulavam-se e estendiam-se, atacando e recuando como a treinar-se para o inverno.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Rijos


Eram assim os homens que nos tiraram do jugo dos mouros. Que falta fariam agora para subirem ao ninho das cobras da troyka!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Histórias resumidas

Uma fuga da escola, leva meaulnes a cair num lugar fantástico onde encontra uma linda rapariga por quem se apaixona: Ivone Galais, assim se chamava. Nesse lugar preparava-se uma boda de casamento do irmão dessa rapariga com uma outra que com ele havia de chegar ao lugar. Esse irmão de Ivone chamava-se Frantz. Entretanto, este acabou por regressar só, porque a rapariga com quem ia casar, Valentina, desistiu à última hora, não tendo sequer comparecido ao encontro conforme combinado. Ficaram, portanto, sem efeito , as grandes celebrações que estavam preparadas e os convidados foram saindo aos poucos do lugar. Meaulnes, que não tinha sido convidado por ninguém que havia comido e dormido como um convidado qualquer e, antes que o denunciassem, aproveitou uma boleia e regressou a casa para continuar os estudos, levando, contudo, Ivone no coração. Frantz, arruinado psicologicamente, abandonou também o lugar, sem ao menos se despedir dos familiares. Pelo que se apurou depois, juntou-se a um bando de saltimbancos que davam espetáculos em diversos lugares. Frantz e Meaulnes não se conheciam. Cruzaram-se uma época na mesma escola e tornaram-se amigos. Frantz sempre com Valentina no pensamento e Meaulnes ansioso por voltar a encontrar-se com Ivone Galais. Entretanto, passara-se muito tempo e quando Meaulnes voltou ao lugar já não encontrou Ivone. Soube que se tinha mudado e que costumava ir passar férias a Paris. Tendo rumado a Paris, encontrou a casa onde Ivone costumava habitar mas esta não dava sinais de vida. Travou conhecimento com uma certa rapariga que deambulava por Paris e passou a conviver com ela. Depois de várias idas a Paris acabou por desesperar de encontrar a sua amada e voltou para a sua localidade. Antes de conhecer Frantz, Meaulnes tinha como seu maior amigo Francisco Seurel. Foi este que, enquanto Meaulnes andava por Paris que, através de uns tios, descobriu o paradeiro de Ivone. Então levou o amigo até ela. Começou para Meaulnes e Ivone um curto período de felicidade: casaram. Pouco depois, porém, Meaulnes que, nos contactos com Valentina se tinha apercebido que ela era a tal noiva que tinha feito do seu amigo Frantz, o jovem mais infeliz deste mundo, disse a Ivone que tinha de fazer uma viagem, uma viagem cujo objetivo a ninguém revelou. Eram os remorsos que o levavam por sentir que era feliz e que um seu amigo era infeliz e estava à beira do suicídio. Tendo ouvido dizer que o grupo de Frantz caminhava pelas estradas da Alemanha para aí se encaminhou e demorou demasiado tempo. Acabou por encontrar Frantz e ir com ele ao encontro de Valentina em Paris. Os três voltaram com ele para aquele lugar onde um dia foi parar por casualidade , após uma dolorosa aventura. Agora, porém, tudo estava diferente: Ivone tinha morrido, depois de dar à luz uma menina. O pai de Ivone e Frantz também. Só uma filha de meses o aguardava e o seu velho amigo Seurel. Tudo ia começar de novo. (Sinopse da obra de Alain-Fournier "o grande meaulnes")