quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Dar valor, não exterminar!

Os Yazidis têm as suas raízes na antiga Mesopotâmia. Hoje estão presentes, essencialmente, no Iraque mas também no sul do Kurdistão iraniano. Têm nessas terras uma presença multimilenária. O seu calendário aponta para a entrada do ano 6.764. São entre 500 mil e 600 mil no Iraque, principalmente na planície de Nínive. As suas crenças remontam aos primórdios do Islão. São monoteístas mas misturam várias influências, muito especialmente muçulmanas. Com efeito, eles são os herdeiros do Cheikh Adi, um místico fundador de uma comunidade muçulmana ortodoxa no século XII nas montanhas do Kurdistão. Afastados do mundo, criaram seus ritos, mitos e símbolos  que os têm afastado, progressivamente, do Islão primitivo. Misturam-se a tudo isso, influências mais antigas do Zoroastrismo, do Judaísmo mas também do Cristianismo. Inclusivamente, praticam o batismo, veneram  Cristo e a Virgem Maria.

Nota: a imagem é do Daily News. O texto é  tradução minha (súmula de um texto do jornal "Le Figaro")

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ricos pelintras

Consta que o Banco de Portugal deu ordens para cancelar um crédito de 70 milhões de euros ao Benfica! Confesso que nos últimos anos, ou melhor, desde que o sr Vieira foi eleito presidente do Benfica, tenho dado comigo a pensar muita vez, no milagre que esse senhor fez. Como foi possível transformar um clube falido que a certa altura até teve de entregar ao estado umas ações tipo nota falsa para não descer de divisão, num clube a fazer emergir tantos sinais de opulência com o gasto de milhões todos os anos na compra de jogadores ? Pois está dada a resposta! Falo no Benfica apenas por ser o alvo da notícia que hoje faz assunto mas todos os grandes clubes se endividam porque querem ter os melhores atletas e querem ganhar títulos, embora não possuam capitais próprios. O Benfica tinha ciúmes do Porto e jogou tudo para não ficar atrás ao menos uma vez numa década e conseguiu. Se estivéssemos noutro país talvez nunca um BPN tivesse virado BIC nem um clube pudesse comprar sem ter dinheiro! Mas os bancos estão aí para ajudar os “pelintras ricos” e o Estado está na jogada. 

terça-feira, 22 de julho de 2014

De outras vidas

(imagem Google)
Éramos vizinhos. Todas as manhãs saíamos de nossas casas, à mesma hora. Ela sempre antes, eu sempre a seguir; ela sempre à frente, eu sempre atrás. De manhã, descíamos o monte em direção à estação ferroviária, a cerca de mil metros. Menos de 500 metros até chegar à linha, mais outro tanto pela linha fora. Pelo monte abaixo e pela linha fora, eu a contemplava: os seus caracóis eram como um cesto de flores que  levava à cabeça e cujo perfume me inebriava! Os meus olhos não se cansavam de ver flores nos caracóis que  levava! Não se cansavam de ir presos nos passos dela!
Na estação de destino, eram multidões que saíam, outras que entravam nos muitos comboios que chegavam de todos os lados e que partiam para vários destinos. Era um tempo sem carros a motor. As ruas ficavam inundadas de rapazes e raparigas que se misturavam e se dirigiam às várias escolas, homens e mulheres que se dirigiam ao trabalho. Só voltava a ver a dona do meu amor, quando ao fim do dia, regressávamos a casa, pelo mesmo comboio, pelos mesmos caminhos. No regresso a casa já não descíamos o monte da aldeia, subíamos o monte  e ela sempre à frente comigo logo atrás. Nessa hora, já não eram os caracóis dos cabelos dela que a tornavam mais bela, era tudo o que a sua mini-saia deixava ver! Era entardecer! Meu sonho algemado de pés e mãos e eu, subíamos o monte. Eu tinha sede e a fonte se afastava! No dia seguinte tudo se repetia e nos outros dias e assim durante meses e anos até que um dia cada um apanhou o seu comboio com destinos diferentes!